Wilza – Wilza
"No álbum "Wilza", a banda que leva o mesmo nome se aprofunda no estilo punk-groove para entrelaçar um deboche político com atmosferas psicodélicas, levando o ouvinte por uma experiência experimental em que o sarcasmo juvenil e as críticas sociais ressaltam a urgência de um mundo que se perdeu."Wilza é uma banda iniciante na sonoridade brasileira do gênero punk; formada por três membros, a banda lança seu álbum "Wilza", que se propõe a se reinventar no gênero e se inspirar em outros grupos do mesmo estilo sonoro. Com uma capa psicodélica e enigmática, que traz a proposta do grupo, a obra conta com sete faixas.
Iniciando o álbum com a faixa backtrack "Aduína", onde os instrumentais, como guitarra e bateria, se entrelaçam no gênero punk. A banda brinca com os efeitos sonoros do gênero junto a elementos urbanos, com fortes inspirações nos anos 80, como a banda Pink Floyd. Dando continuidade às inspirações atmosféricas do gênero, a faixa "Terapia", com sonoridade grunge-punk dos anos 2000, possui fortes inspirações em Nirvana. A banda envolve com a voz, criando um efeito interessante — estilo que funciona na canção —, onde o significado de amor tem seus defeitos; com metáforas para a terapia, a composição é enigmática. Durante esse tempo, a sonoridade busca se aprofundar, criando uma atmosfera que a banda transmite excelentemente.
Onde, na faixa "Luigi Mangione", terceira canção, fica evidente a inspiração única da banda. Ao se envolver no gênero punk, o álbum traz a ideia do capitalismo sob um sarcasmo impressionante do grupo, que cria um carisma perfeito para o gênero proposto na obra. Em "Wilza", o álbum reflete a perspectiva do grupo sobre as relações políticas atuais para o jovem de hoje. Durante essas três canções, é perceptível o significado que eles carregam com extrema zombaria. Um ponto prejudicial, contudo, reside no limite da fórmula repetitiva, onde as faixas até agora se repetem; a canção possui um ciclo enorme de refrões que, no álbum, cansa. Sem pontes, sem versos, apenas refrões onde a música se esgota e não prossegue para algo mais surpreendente.
Na quarta faixa, "Glicose Matinal", é interessante o punk-psicodélico em que a banda transmite negações interiores sobre os problemas atuais do mundo. A fórmula anterior das faixas é perceptível, e a canção segue no experimental extremamente atmosférico ao álbum proposto. Como ponto que destoa, ainda reside a falta de proposta em se reinventar no gênero; aqui, a banda permanece no genérico, com muito desenvolvimento. "Trem Fantasma" tem a proposta mais única: um groove-metal atribuído a sentimentos de relacionamentos passageiros. Pode passar desperceberda por conta de sua sonoridade disfarçada de punk, porém eles conseguem propor o melhor do gótico romancista em um disco com proposta groove-punk. A faixa é genial pelo fato de o experimental conseguir se centralizar no disco de forma excelente, dando um outro estilo para a banda abordar em um futuro. Faixa com muita personalidade em uma banda com personalidade.
Na introspectiva relação da banda com artistas como Sonic Youth, a faixa "Turista" é, no melhor dos sentidos, a harmonia do passado com a atualidade. A banda faz excelentemente um groove-psicodélico dos anos setenta com a intimista e instigante perspectiva da vida dos jovens nesse mundo, em relação às dificuldades mundiais. É viciante essa canção apenas pela forma de profundidade vocal — quase uma abdução, que é a proposta do disco —, com as críticas em tom de deboche adolescente no gênero punk. Funciona pontualmente.
Em "Senta Em Mim", última canção do disco e com sete minutos de duração, a faixa explora todas as sonoridades propostas pelo álbum com uma pitada de melodramático. Nesse caso, a composição tem seus momentos backtrack, porém a música tenta te surpreender na sonoridade que avança entre os gêneros punk-groove; entretanto, cansa bastante quando há uma supervalorização do estilo sem muita diferença entre os gêneros. Punk e groove são opostos, porém a banda tenta mesclá-los e fica maçante; como finalização é uma boa proposta, porém a primeira faixa fez melhor e aqui o significado se torna fútil. A banda surpreende mesmo quando se perde nos estilos finais, havendo uma falta de ferocidade igual a antes. Finalizando esse álbum como um jovem que erra, porém tem opiniões fortes sobre a política e o mundo falho.
"Wilza" é um ótimo disco da banda de mesmo nome, onde a mediocridade das políticas realmente vale à banda fazer um sarcasmo em um gênero punk-groove sem perder o estilo que faz sucesso desde os anos oitenta. O grupo brinca bem em relação à sonoridade sem perder a identidade e as críticas sociais que fazem parte da comunidade jovem nesse gênero proposto.
Um disco que, mesmo havendo dificuldades em propor de forma mais honesta — explicar o uso de sonoridades genéricas acaba trazendo uma falta de ferocidade em alguns momentos ou a repetitividade sem muito nexo com outras músicas ou até em relação à obra. "Wilza", como o próprio nome, é uma ótima iniciativa da banda nesse ano ao fazer um álbum que só peca ao se perder em alguns momentos; porém, como qualquer outro jovem, o mundo atual está perdido e a banda sabe disso.