Análise e Review do álbum Pornografia auditiva de Bia Soull

ARTISTA: Bia Soull

ÁLBUM: Pornografia auditiva

LANÇAMENTO: 13 de abril de 2026

GÊNERO: Funk

DURAÇÃO: 43MIN (13 faixas)

9.2

Pornografia auditiva – Bia Soull

"“Pornografia Auditiva” traz Bia Soull em um álbum coeso, vulgar e sexy, mas sem perder as críticas sociais e a perspectiva de libertação pelo desejo sexual."
Por Gabriel Silva -

Bia Soull lança seu álbum de estreia, denominado "Pornografia Auditiva". O disco conta com 13 faixas e busca transformar o funk hip-hop em um acontecimento discográfico. Bia brinca com o som: durante o disco, a cantora vai do proibidão ao melódico de forma perfeita. Em questão de segundos, o disco exala dominação e poder, onde a própria Bia diz: "Trazer essas temáticas e provocar catarse é necessário." A artista usa o funk proibidão em um disco com personalidade. Com uma temática feroz, a cantora molda o som dos anos 90 em um fluxo dos anos 2010, juntando e ampliando tudo com muita atitude.

Bia Soull quer demonstrar sexualidade, vulgaridade e coesão. A introdução do disco vem da faixa "Preliminares", cheia de palavras vulgares misturadas ao funk eletrônico e ao hip-hop. A artista define o disco afirmando que "O sexo é o fio condutor da minha arte, é expressão e extensão do meu ser", impactando a obra de maneira consistente. O disco é um baile completo, cheio de personalidade e genialmente vulgar, com riqueza nas palavras comuns do funk brasileiro. A cantora junta isso a gêneros como o rap e o dance, e a produção musical refinada, com seus beats e colagens de samples, é o combustível que deixa o caos ocorrer naturalmente. Porém, ao invés de apenas ouvir no fone de ouvido, como na intimidade da canção "Ménage", queremos logo ligar o paredão em "Óleo de coco" e curtir o baile carioca. É como se Bia estivesse transitando entre o público e o privado, o fetiche entre quatro paredes e a euforia coletiva da rua, mostrando a "essência poderosa" do disco. Durante as faixas, as participações são um mero detalhe, pois a própria Bia funciona perfeitamente sozinha, como ela mesma diz: "Meu primeiro álbum é uma celebração ao erotismo". Além disso, ela costura o musical com filosofias humoradas, como na faixa "Malandro TouchScreen", que funde o soul dance ao vulgar e ao cômico de forma genial. Até aqui, o álbum "Pornografia Auditiva" se consolida como um clássico proibidão carioca, resgatando a herança dos anos 90 e 2000 sob uma perspectiva feminina de libertação sexual; é como uma noite fina nas festas de jazz-soul, porém passando-se dentro de um verdadeiro baile do Rio de Janeiro.

Bia Soull afirma que "Sexo é político. Falar sobre sexo é político.", uma fala interpretativa o suficiente para mostrar outra visão do disco. Isso fica claro não apenas pela genialidade da faixa "Mega do neurose", onde o eletrônico caótico e vulgar exalta uma persona feminina sedutora como ela mesma diz: "ele me obedece (...) homem serve para servir", mas também na fantástica "Melaço", um hip-hop eletrônico cheio de sensualidade onde a artista demonstra a mulher como uma figura perigosa e femme fatale. O disco transforma o sexo em uma forma de mostrar que a mulher se expressar de forma tão crua e sem filtros é um ato político de libertação contra a sociedade. "Pornografia Auditiva" não quer fazer o mundo feminino se tornar meramente sexual, mas sim consciente de suas forças. Em pleno 2026, com um disco inteligente que se destaca em um gênero onde as mulheres já dominam bastante, como o dance electronic e o funk melódico, Bia Soull traz sons hipnotizantes, com um groove que vai e vem em nossos ouvidos de maneira a mostrar a força da mulher na posição natural do mundo. Bia quer deixar claro que "Mulheres dominam a inteligência da composição, política e sexual na sonoridade brasileira". Como ela mesma diz na faixa-título 'Pornografia Auditiva', ela molda o caminho do mundo feminino: "Moldo a história (...) do jeito como me sinto". Poucos discos têm essa coragem, e Bia traz isso com muita personalidade.

"Desgraçadinha", ou "boombap puto", amplia o escopo do álbum com o dance jazz e muita sensualidade, sem perder o carisma. Bia finaliza o disco da mesma forma que começa, unindo os sons e as letras vulgares. Durante as 13 faixas, é clássica a união do funk com a MPB. Nas últimas faixas, "Putinho piru rodado" e "Coração puro", que ainda assim são consistentes, a sensação é a de como se a chuva tivesse acabado com o baile, sem a euforia ter chegado no ápice. Ainda assim, "Pornografia Auditiva" é perfeitamente capaz de definir o gênero do funk eletrônico por bastante tempo! Bia transforma o vulgar e o considerado terrível em uma linha de política e euforia. O disco beira a elegância sobre os gêneros apresentados. Lançado em abril de 2026, Bia define sua carreira com a melhor estreia que o funk proibidão melódico poderia ter. O sexo e o som andam juntos em "Pornografia Auditiva".

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