Análise e Review do álbum Esgotada de Tiê

ARTISTA: Tiê

ÁLBUM: Esgotada

LANÇAMENTO: 20 de maio de 2026

GÊNERO: Indie

DURAÇÃO: 29MIN (10 faixas)

7

Esgotada – Tiê

"Em "Esgotada", o indie contemporâneo usado por Tiê demonstra sensibilidade, mesmo quando falta a profundidade perceptível para nos emocionar."
Por Gabriel Silva -

Em 20 de maio de 2026, a cantora Tiê lança mais uma obra minimalista denominada "Esgotada". A artista apresenta seu cotidiano por meio de composições próximas do surrealismo contemporâneo, junto do indie R&B pop de som acústico e acolhedor. O disco pretende mais abordar do que encantar, buscando fazer você separar os dois estilos da cantora ou tentar achar uma coesão narrativa.

MPB contemporânea e Tiê andam juntos no disco "Esgotada", sem perder o que "A Noite" foi. A cantora diz "Fui para o "Esgotada" porque era o que chegava mais no limite mesmo do esgotamento", e essa frase resume o que o início do disco significa. "Minha História" mostra que a narrativa da artista se desenha como um mar de expectativas e cansaço em um dia melancólico. A cantora se vê entre pensamentos profundos enquanto o som melodramático da MPB Indie Pop se faz presente. Bastante inspirado em "Maré" (2008), o início do disco se torna suficiente para transbordar ideias que, mesmo se esgueirando para trazer metáforas ou sentimentos sufocantes, ainda demora para criar uma euforia melancólica. A sensação de estar "fazendo música e chorando sem energia para levantar da cama" é perceptível. Em "Contato", o sufoco da MPB dos anos 70 ou o pop minimalista de Céu em "Caravana Sereia Bloom" (2012) fazem eco em um cenário onde a confiança perde a força. Tiê cria em seu quarto pensamentos de solidão levados ao ápice, como na bela faixa "Atitude", com Adriana Calcanhotto, onde a composição metafórica ganha força pelo indie acústico dos anos 2000, visto em obras como as de Letícia Fialho. Ao dizer "Tentei voltar para mim e para o que me atingia", a artista se perde um pouco ao passar isso de forma clara; sem obviedade, o sentimento de um parque ganha mais força do que a camada úmida da melancolia. O sentido do disco vai para o oposto mesmo quando sua voz ecoa pelos sons indie, transformando "Esgotada" em um R&B pop surrealista e pouco minimalista.

Tiê ainda resgata o sofrimento de seu álbum "Esmeralda" (2014), porém, aqui, sem tanto pop indie ou art pop, focando apenas no pop mesmo. Em "Ainda", cria a conexão de ser de alguém ainda, porém trabalha no sentimentalismo do sofrer por sofrer. A cantora eleva em "Altar" motivos para amar pessoas próximas, tentando achar a MPB carioca que se encaixa, pois a voz e o apelo vocal dos cavaquinhos criam o pop R&B que conecta, mesmo quando a composição se torna experimental, como a cantora mostra na faixa "Uma Criptografia", inteligentemente complexa. "O conceito está mais do que nas letras", e canções como "Tanto Faz" exploram melhor isso: a tristeza é trazida pelo R&B contemporâneo clássico do jazz carioca dos anos 60. A voz, a composição, o violão e a perfeita interpretação do visual sonoro indicam que essa deveria ser a faixa inicial e o ponto de partida do projeto. Entretanto, ela retorna ao desenvolvimento do surrealismo sonoro onde, ao invés de um dia nublado, o clima parece uma noite nas praias do Rio de Janeiro; o que até poderia ser complexo, mas termina por não se aprofundar. "Esgotada" cria a famosa procura dos relacionamentos, usando o indie como base, porém passando pelo R&B. Tiê consegue entregar isso, mesmo que de forma genericamente casual, onde o som cria a perfeita era "Melodrama" da Lorde (2017), passando por um "Midnights" da Taylor Swift (2022), porém afastado de uma obra conceitual.

"Tempo Pra Mim" retorna ao passado, mostrando como a mente inocente de uma criança transforma a dor em sentimento; hoje, são os problemas que prendem, mesmo quando a dor já passou ou foi curada. A introspecção da cantora cria um sentimento verdadeiro de solidão. Já na última faixa, "FIM", com Galo de Luta, um spoken interlude usa o livro Cem Anos de Solidão, trazendo os personagens como metáforas de ciclos e isolamento. É um fim lindo, que se conecta com a faixa "Tempo Pra Mim", mesmo sendo apenas um interlúdio. Com isso, percebo que "Esgotada" é, na verdade, um livro aberto sem tanta imponência. Tiê cria desde o início um ciclo nada conceitual, mas recheado de momentos de sabedoria ou dor. Por isso, mesmo que o disco tenha momentos de desconexão ou misturas de gêneros, e mesmo que o pop seja o centro, o R&B falava mais forte. Explorar temas como em "A Noite", de seu álbum "Esmeralda", aqui pareceria supérfluo; neste novo trabalho ainda há algo que a cantora guarda de forma mais profunda. Se ela trabalhar desse jeito, poderemos ter um conceito definido no futuro. "Esgotada", talvez, só mostre que a Tiê cansou em certo ponto. Não somos perfeitos. Mesmo quando tentamos buscar a lindeza no passado, como em "Tempo Pra Mim", e não no presente, estamos esgotados. E é exatamente isso o que ela diz.

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