BRIO – RANCORE
"Em "BRIO", o RANCORE está de volta, trazendo um som punk rock melódico que equilibra fúria e ponderação, guiando-nos por uma busca de autoconhecimento e triunfo pessoal."Após um longo tempo de hiato, a banda RANCORE retorna com seu novo álbum, "BRIO", no qual o grupo volta aos gêneros que o consolidaram, como o rock punk, sem perder o lado melancólico. Seu último álbum, "SEIVA", lançado em 2011 — que possui essa estrutura de unir o rock de forma melancólica —, é uma ótima base para analisar este novo trabalho. Em 2026, resta saber: será que a banda ainda mantém a mesma estrutura ou tentou se atualizar? Minha crítica segue abaixo:
Na primeira faixa, "TEORIA DO CAOS", a banda explora de forma interessante a busca pelo equilíbrio, com metáforas inspiradas em conceitos da natureza. Com o rock alternativo como base, a composição é uma excelente introdução após o hiato do grupo, conseguindo equilibrar a agressividade e a profundidade reflexiva ao longo da faixa. Na canção seguinte, "EU QUERO VIVER", simboliza metaforicamente a saída de um coma como um processo de superação. A música é a interpretação da banda após os anos de hiato, usando o gênero rock melódico que tem no contexto do álbum: a retomada da sonoridade que o grupo explora em seus longos anos de estrada. O grupo reinterpreta o gênero sem perder o estilo, como visto em "PRECIOSA CORES", trazendo um punk estiloso e utilizando metáforas sobre a diversidade humana. Bandas como Dead Fish, que traz referências do punk hardcore, servem como inspirações para o RANCORE nesse disco. "BRIO", até aqui, consegue retomar a banda com qualidade, sem perder o estilo brasileiro do rock.
"A NASCENTE", como um rio, é uma caminhada entre o começo e o fim. A banda utiliza o indie punk como forma melódica que, aqui nesse álbum, dialoga tanto com o caos quanto com a luta. A faixa é interessante melodicamente, soando quase como um fim, mas o grupo a interpreta como o recomeço. Seguindo para "SEXO SELVAGEM", é abordada a dualidade existencial entre dois opostos, como o exemplo citado pela banda: o bem e o mal. A canção tem a sonoridade do rock alternativo puxada para o melancólico. A faixa é tranquila, sem muitos comentários, pois a banda realiza um trabalho coerente e sem muitas ressalvas; é coesa e funciona, mesmo sendo o oposto da sonoridade explorada até aqui — embora, talvez, um pouco de ferocidade pudesse se encaixar melhor. Na sexta faixa, "CARA DE LOUCO", a atmosfera continua tranquila como na anterior, explorando, através do rock indie, metáforas sobre o indivíduo e a sociedade. A coerência é perceptível, já que o álbum é o manifesto da banda após anos observando o mundo de forma perspicaz, mesmo em faixas suaves e sem tanta disposição. O grupo consegue, na calmaria dessas composições, transmitir o sentido da obra e suas percepções; funciona de forma excelente, mesmo quando a grandiosidade faz falta.
Na faixa "UNHAS E DENTES", ocorre a transição do punk para o rock metal — o mesmo significado da letra, que transita sobre defesa e busca espiritual de formas metafóricas. Bandas como Dance of Days usam a mesma sonoridade, alternando os gêneros e significados. É uma faixa rápida, sem perder o estilo clássico da banda, apresentando-se sem tanta ferocidade e com bastantes simbologias. Em "VALSA DO IMPREVISÍVEL", temos um rock alternativo tranquilo, refletindo amadurecimento. A faixa é diferente; na proposta do álbum "BRIO", ela se destaca não por ser suave, mas por ser um indie bastante reflexivo. A banda realizou com excelência essa virada, pois, enquanto em outras composições a agressividade precisava ser necessária porque a canção pedia esse propósito, nesta a banda se isenta de explorar a ferocidade, o que a faz se encaixar no álbum melhor que outras canções. Esse hiato do grupo mostra para nós que o equilíbrio entre as sonoridades foi um acerto, mesmo que ocorram deslizes.
"CORDÃO DE OURO" traz temas reflexivos, como amadurecimento e sabedoria. Em um pós-punk, a faixa se desenvolve com uma única proposta: mostrar que o grupo possui a percepção necessária para alternar agressividade com reflexão. É uma faixa modesta, que se encaixa no conjunto pelos itens mencionados anteriormente. Na décima e última faixa, "EXPANSÃO", a canção traz o gênero metal, que dialoga com temas filosóficos. A composição tem seus detalhes positivos; o RANCORE faz um extraordinário metal. O disco propõe, nessa última faixa, o que estava explicado no início: que a banda, mesmo quando se acalma, pode surpreender. Essa faixa é uma forma incrível de finalizar o disco; o grupo uniu o metal com o indie de forma excelente. "BRIO" me surpreendeu. Depois desse hiato, a banda trouxe o que faz de melhor: o rock punk melódico com reflexões suaves.
"BRIO" é realmente extraordinário. O RANCORE retorna de um hiato com um álbum maduro e reflexivo, sem perder a sonoridade que os tornou a referência brasileira do rock punk melódico. O álbum é puro equilíbrio e versatilidade; eles conseguem iniciar e fechar o disco com a mesma coesão e estrutura sonora. O grupo traz metáforas de forma excelente, conectadas ao contexto de suas vivências, sem esquecer a coerência e o lirismo.
Talvez, eu sinta em momentos específicos uma perda de ferocidade. A proposta do álbum não necessariamente necessita desse vigor, porém, em algumas faixas, é perceptível a ausência de um impacto que poderia se encaixar melhor entre as composições. A grandiosidade é algo pontual que, ao meu ver, poderia ter sido trabalhada de forma mais orgânica; algumas canções ficam contidas em um indie que poderia ser melhor substituído por um rock ou por alguma mudança energética. Em certos momentos, a energia soa reprimida, quando poderia ser um pouco mais caótica, sem perder a identidade.
"BRIO" é excelente — um retorno que, em 2026, era necessário para a indústria da música brasileira. O RANCORE faz, com maestria, um álbum coeso e surpreendente. Mesmo com algumas recaídas, o grupo retorna das sombras com pontualidade e metáforas suficientes para um disco repleto de essência.