BALA DE BANANA – OTTOPAPI
"Em "BALA DE BANANA", OTTOPAPI traz de volta a irreverência do rock nacional dos anos 90, filtrada pelo olhar do indie atual, fazendo do turbilhão da juventude nas cidades um protesto adorável, irônico e transbordando personalidade."OTTOPAPI traz, em 2026, seu novo álbum denominado "BALA DE BANANA", no qual o artista irá mostrar, na sonoridade indie rock, sua adolescência inspirada em artistas brasileiros dos anos noventa.
Vamos ver se o disco será uma nova visão da sonoridade dos anos noventa ou se o cantor busca se reinventar. Minha crítica segue abaixo:
O disco inicia com "MEUS PODRES", onde o artista ironiza sua vida em um pop rock alternativo. O cantor sabe, de forma simpática, cantar nas batidas, formando um refrão chiclete. A canção combina de forma certeira com a sonoridade proposta do gênero rock urbano. O cantor não precisa se esforçar; a faixa faz isso com grandeza em uma composição jovial, sem perder a personalidade do rock brasileiro dos anos noventa, como feito por Mamonas Assassinas no disco "Pelados em Santos". O disco "BALA DE BANANA" inicia bem, em uma canção com personalidade doce e adolescente que impacta não pela sonoridade, porém pelo carisma do OTTOPAPI nessa faixa rica em personalidade.
Na segunda faixa, "BALA DE BANANA" traz um indie pop cheio de metáforas, onde o cantor se denomina exótico como a bala de banana. Talvez a faixa siga para um outro lado sonoro do disco, onde o cantor ainda consegue ajustá-la ao álbum, mesmo que ela não possua a proposta central da obra. Até porque a primeira faixa absorve melhor o estilo do disco ao ser um oposto do rock convencional, passando a ser um rock suave. Porém aqui, o cantor brinca com gêneros eletrônicos que tendem a colocar a obra em um ângulo entre o indie e o grunge — tanto faz. É uma faixa que funciona, porém no oposto do que eu entendia. A canção também contém um significado ótimo na proposta, mesmo que, ao meu ver, fique um tanto deslocada no gênero pop urbano.
"GOIXTO", terceira faixa do disco, revela o lado romântico e adolescente de OTTOPAPI. A música mistura gêneros dentro de um pop indie com forte inspiração nas sonoridades dos anos oitenta, criando um clima leve e nostálgico. Aqui, a introspecção do cantor aparece de forma mais divertida, como se o álbum entrasse em uma fase mais doce — com o artista assumindo o papel de um jogador tentando sobreviver ao caos da própria juventude. O pop rock sustenta essa identidade e mantém a coesão do disco, enquanto as referências a nomes como Vanguart e Moptop ajudam a situar essa estética entre o indie nacional e uma sensibilidade mais contemporânea. Nesse sentido, há uma boa continuidade com "BALA DE BANANA", como se ali nascesse essa “doçura” que agora ganha forma.
Em "PERDI O CONTROLE", o artista explora um indie pop rock guiado por sintetizadores que conversam bem entre si. A composição se apoia em metáforas ligadas à rebeldia adolescente, sustentando a proposta até certo ponto. O problema surge quando a música tenta se estruturar de forma mais ambiciosa: as conexões entre os versos acabam travando a fluidez. Ainda assim, há mérito na tentativa de expansão sonora, especialmente em momentos que remetem a The Strokes. Mesmo com falhas pontuais de mixagem, OTTOPAPI demonstra versatilidade ao transitar pelo alternativo sem perder sua identidade.
Em "QUASE QUE ME ATRASO DE NOVO", a continuidade ao gênero do álbum, com uma mudança de significado. O artista explora, de forma irônica, a vida dos jovens que vivem se atrasando, enquanto se pergunta o porquê. A música tem a coesão e a sonoridade contínua, certa na proposta do álbum, sem muitas mudanças ou ambição. Na sexta faixa, "RUIM DA CUCA", vem com a sonoridade grunge-pop, interpretando como os problemas emocionais afetam as relações. A faixa traz coesão com belos vocais interpretados pelo OTTOPAPI. Mesmo sendo duas faixas pouco marcante, o cantor brinca em metáforas divertidas que elevam o álbum "BALA DE BANANA" não apenas como exótico, porém também como sentimentos; o artista faz o álbum com personalidade e o caos do mundo urbano.
"PUROJOGODURO" traz um pop eletrônico com a proposta das faixas anteriores: mostrar o artista em um jogo de desinteresse e busca por um amor. "A MAIS GATA DESSA FESTA" traz uma celebração ao punk rock alternativo, como já visto em outras canções. Aqui, o cantor precisa impressionar outra pessoa em uma balada indie suave. "TODDY AO TÉDIO" traz um lo-fi introspectivo, onde o cantor mostra a vulnerabilidade emocional. Nessas três faixas, há algo que surpreende: o carisma do cantor enquanto mostra a sua perfeita e pontual transformação no conceito do disco; ele transporta o pop ao punk suavemente nessas faixas, sem perder o indie. Nesse ponto do álbum, OTTOPAPI tenta relaxar na sonoridade, buscando outras inspirações que funcionam ainda sem perder sua personalidade. Ainda assim, sem muitas ressalvas ou genialidades, são ótimas canções que fazem de "BALA DE BANANA" um belo disco.
Na canção final, "PÓ POEIRA", finaliza-se o álbum com as críticas já propostas pelo artista, no melhor das hipóteses usando o pop urbano. Talvez a faixa funcione melhor como a crítica das falsas amizades, porém, como finalização de um álbum, é um tanto "tanto faz". Ainda que "BALA DE BANANA" tenha a coesão do artista e seus sarcasmos na atualidade em que vivemos, ainda falta mais disposição do cantor em fazer mais do que apenas uma crítica. Ainda assim, o disco é jovem e desapegado, mesmo quando está cansado de fazer mais coisas.
"BALA DE BANANA" é ótimo em trazer personalidade doce no gênero rock, onde OTTOPAPI consegue com seu carisma e deboche brincar com o pop-rock alternativo sem perder identidade. O cantor sabe bem do seu publico e cosegue criar um álbum com os fenômenos da adolescência onde mesmo ele sendo o protagonista, todos podem se identificar. Sem perder o estilo propostos por bandas dos anos 90 a 2000, o álbum conegue além de se insporar como também criar seu estilo.
Mesmo em muitos momentos se perder no gênero proposto ou ainda se acalmar demais em momentos que o cantor deveria se impor mais, se destacar na sonoridade e criticas mais interessantes. "BALA DE BANANA" consegue ser singular e divertido, tanto pelo artista como também pelo gênero. Essa bala de banana é doce no ponto certo, mesmo que não dure tanto na boca.