Animal Invisível – Guri Assis Brasil
"O "Animal Invisível" é uma obra em que se utiliza do jazz-soul como instinto de percepção e como celebração da vida através do silêncio e de grooves enigmáticos."Guri Assis Brasil, não me era um nome desconhecido. Ao pesquisar sobre, me deparei com Ressaca, seu álbum de 2016 e me veio à cabeça na hora. Um cantor que não ouvia falar há muito tempo. Porém, recentemente, descobri seu novo álbum intitulado "Animal Invisível", fiquei animado, pois estava há tanto tempo sem conhecer mais desse artista que precisei fazer essa crítica.
"Animal Invisível" vem com uma proposta mais minimalista do contemporâneo e foca em mergulhar na MPB. A capa me instiga, o que significa, não sei, a cor azulada radiante com algo no fundo tem uma abordagem enigmática. Ao mesmo tempo que quero descobrir essa nova obra, me desperta atenção. Então, eu quero ficar impressionado. Espero que esse álbum me convide a conhecer mais o pensamento do cantor, sobre sua carreira, relacionando hipóteses e metáforas, talvez o nome do álbum queira passar isso.
Logo de cara, o álbum nos entrega "Que Delícia é Viver", que tem um estilo tropical urbano, usando um Groove alucinante que dialoga com o clima tropical. Guri usa de forma brilhante o Jazz-MPB contemporâneo e experimental. Percebemos que o álbum será focado nessa abordagem anos 70, trazendo uma nostalgia moderna. Apenas com essa faixa, que não cansa, eu pude perceber que, "Animal Invisível", quer trazer simbologia a obras de pulsação e leveza.
Na segunda faixa, "Animal Invisível", mesmo título do álbum, traz um Soul com referências a artistas como Nublu, nessa pegada urbana contemporânea. A faixa é boa e consegue ser marcada por um psicodélico. O ponto negativo e chato, vem da voz eletrônica que o cantor faz, que deixa a música carregada, sem leveza e grandiosidade. Como essa voz Electro Funk não se encaixa tão bem, a faixa ganha pelo minimalismo psicodélico, que o artista faz muito bem.
Na terceira faixa e quarta faixa, "Estriquinada" e "Cavalo Indomável", sucessivamente, possuem o mesmo padrão das anteriores, influência em sonoridades contemporâneas do jazz-funk brasileiro. Esse álbum "Animal Invisível" A busca do Guri transformar a antiguidade musical brasileira em um estilo onipresente. Eu consigo identificar que o álbum transmite um estilo urbano que conecta bem. Porém, a quarta faixa, repete tanto o mesmo som, que cansa. Não é boa como a anterior, talvez, seja a mais chata do disco até aqui.
Em "Dendê", Guri faz uma fusão de Soul com Psicodelia Brasileira contemporânea, quase como a criação de uma "Banda Estranha" em algum lugar do mundo. A faixa é bela e conseguiu me deixar instigado, quase hipnotizado. Porém no fim dela, o artista apenas repete a mesma fórmula de, "Cavalo Indomável", deixando chata e cansativa. Mesmo que a próxima faixa, "Didi", venha com um jazz-funk retrofuturista, durante os primeiros dois minutos, novamente repete o mesmo estilo, que vai ficando chato e monótono. Isso até os próximos três minutos, quando Guri traz novamente o Groove Tropical excelente.
"Casablanca", sétima faixa, mais experimental, trazendo um gênero sonoro voltado para o ambient-jazz, quase como uma reflexão filosófica de Guri, a faixa provoca. Cheia de suspense, e eu achei sensacional, pois devolve o que as primeiras três faixas do disco tinham em comum, unir o lado urbano com o contemporâneo.
Em "Pior Que Acordei Bem", faz uso de forma brilhante uma introspecção noturna, que infelizmente deixa a desejar com os efeitos sonoros da voz, que por sua vez, me deixou chateado. É uma faixa elegante, usa o jazz-funk psicodélico bem, tem um significado por trás de vivência e conforto bem estruturado pelos sons dos instrumentos. No entanto, não funciona com essa voz eletrônica dele no fundo.
A última faixa do álbum "Um Lobo à Espreita de Alguém" vem com um Groove em MPB elegante, Guri sabe usar instrumentos clássicos, como saxofones e batuques, junto o eletro contemporâneo de uma forma harmônica. A voz da faixa anterior volta aqui, porém em um momento certo e coeso. Realmente uma faixa divertida, que se inspira nos artistas já comentados aqui.
"Animal Invisível" é de fato uma celebração de Jazz-Soul urbano contemporâneo, onde Guri Assis Brasil não apenas trouxe esses sons clássicos dos instrumentos dos anos 70, como reformula da forma dele nesse álbum. É um show de nostalgia e elegância, quase como uma viagem até essas épocas e estilos.
De fato, em alguns momentos o disco perde sentido. Para mim, o disco precisa ter boa profundidade e ser dinâmico. A profundidade é relativa, eu identifiquei Inúmeras reflexões e Hipóteses aqui, ele não precisa falar e isso é ótimo. Na dinâmica não tanto, como visto, várias faixas tem sons, estilos de MPB, cultura e uniões sonoras. Com isso, Mescla-se tanto, que pode perder o Sentido e ficar raso.
O artista quer passar para o ouvinte que mesmo sem perceber, moldamos nossas percepções de vida e mundo. Para mim, Guri mostrou algo muito importante. Ele não usa a voz para fazer as pessoas pensarem sobre a vida, os sons fazem isso, a floresta faz isso. Guri é a natureza nesse álbum, a vida e o propósito dela.
"Animal Invisível" usa estilos urbanos e gêneros MPB-Jazz, cria de forma metafórica une som e vida. Onde mesmo que trave em vários momentos, ainda assim é belo e representa o Brasil apenas com instrumentos, Guri é o som e a vida.