Equilibrium – Anitta
"Em "Equilibrium", Anitta embarca numa busca espiritual, entrelaçando tradições antigas e crescimento individual. A artista explora sonoridades que viajam do pop afrobeat ao ijexá envolvente, conduzindo quem ouve por um ritual musical de renovação interior e exaltação cósmica."Contexto e Expectativa
Em seu novo álbum, "Equilibrium" de 2026, Anitta busca encontrar a paz interior através das características dos gêneros que a colocaram em ascensão. Anitta — desde seu último álbum, "Funk Generation", em 2024, que surpreendeu pelo fato de tê-la consolidado como a artista mais conhecida do mundo — volta com um projeto mais pessoal, abordando temas espirituais e ancestrais de sua própria religião.
Com uma capa laranja onde vemos a cantora reverenciando sua fé, o título do álbum, que evoca claramente a busca pelo equilíbrio interior, e suas quinze músicas, que prometem levar o ouvinte até as nuvens, Anitta se propõe a nos mostrar seu lado mais íntimo. Minha crítica segue abaixo:
Análise Crítica: Faixa a Faixa
Sem enrolação, vamos ver o que achei.
Anitta inicia seu álbum com a faixa "Desgraça" como uma canção de empoderamento pessoal, utilizando o gênero pop Afrobeat. A faixa tem seus momentos de festividade que mostram, exatamente, o que a artista quer abordar no disco. Mesmo que ela se esforce para unir os elementos, em alguns momentos a composição fica extremamente maçante, possuindo um refrão nada convencional em uma faixa interessante na carreira da cantora. Na faixa seguinte, "Mandinga", com Marina Sena, a sonoridade transita entre o ijexá unindo a matriz africana, trazendo uma releitura de Baden Powell um pouco sofisticada. As artistas deixam claro que confiam apenas na força pessoal e blindam suas energias. A faixa é lenta por conta da participação, mesmo que Anitta traga quase um pop chiclete, que instiga, mas não apresenta a ancestralidade do gênero africano. Separar o pop do clássico é uma coisa que a faixa não compreende, e o resultado torna-se instigante. Na terceira faixa, "Caminhador", com Liniker, o que se ouve é um caminho de superação espiritual da própria trajetória. A união do gênero Soul com o Axé é excelente; a dupla faz uma abordagem de fé e persistência na carreira. Liniker é ótima em trazer a introspecção e ainda trasborda com brilho — uma faixa fenomenal, com um belo significado e ótima colaboração. "Equilibrium" não aborda a fama, porém foca na humildade e na espiritualidade da artista, versando sobre equilíbrio e autorreflexão. Em "Bemba", com Luedji Luna, a letra aborda a cultura baiana trazendo a dança à tona. Mesmo que o gênero pop-samba e as artistas tenham carisma, a faixa não tenta mais do que isso; carece de profundidade sobre como a Bahia transforma o disco em festividade. É uma composição que incomoda, sobretudo, pela suavidade e pelo raso significado. Enquanto a faixa anterior narrava a história da artista e sua autorreflexão, aqui quase nada se apresenta. Seguindo, "Ternura", com Melly, explora o tema da cura com influências essenciais do R&B contemporâneo. É belíssima a união das artistas em torno desse conceito de renovação — algo que o disco precisa abordar mais do que nunca. Busca-se o equilíbrio e a paz em uma sonoridade que, mesmo quando Anitta desliza durante o álbum, entrega momentos maravilhosos; esta faixa, especificamente, aprofunda o álbum em um estado de purificação.
Em "Deus Existe", com a banda Ponto de Equilíbrio, a obra equilibra o reggae com o pop de forma surreal, enquanto reflete a fase de amadurecimento e a mudança na perspectiva da artista. Que obra genial! A união do grupo aqui é suave, no melhor estilo reggae, transmitindo uma linda mensagem e fazendo o álbum "Equilibrium" abraçar novos estilos importantes — não apenas no significado, como no gênero proposto. Uma canção verdadeiramente pontual. "Caso de Amor", com Os Garotin, traz um significado de romance inesperado. O R&B-Soul e o groove são muito interessantes, mas a colaboração é uma ponta solta. Funciona quando separamos os dois; quando encaixada na música, fica instigante. Talvez se fosse outra proposta ficaria mais interessante; não é a melhor colaboração, mesmo que eu me esforce para ver significado e proposta coesa para o disco. Em "Várias Quejas", música solo em espanhol, aborda um sentimento de decepção, talvez na carreira da cantora. O pop latino aqui não é o melhor para o contexto do álbum; é uma faixa que dá para pular. Complexa demais para um disco ijexá-R&B, mesmo que a voz dela seja belíssima e viciante sonoramente (como qualquer outra música latina), não tem mais que isso, quase sem equilíbrio. Na nona faixa, "So Much Love", ainda em espanhol e inglês (com um pouco de português), o desejo de intimidade é explorado. Em um pop latino-reggaeton, é mais uma faixa que sobra — não pelo significado, porém pela bravura de fazer um estilo tão diferente em um disco simples como "Equilibrium". Fica perdida não pela bela e suave voz, mas pelo seu impacto no álbum, que entra em um ciclo de desgaste; talvez seja um pouco melhor que a faixa anterior.
Na décima faixa, "Pinterest (Spanish)", vem abordar em espanhol a redescoberta amorosa; sem nada de novo no pop latino-samba, é uma faixa de dois minutos que até encanta com a voz e a sonoridade que pode funcionar no contexto MPB do álbum, porém nada além disso, e a faixa é apenas sem conexão principal. Em "Nanã", com Rincon Sapiência e KING Saints, celebra-se com funk-samba a homenagem à ancestralidade afro-brasileira. A colaboração de Rincon Sapiência talvez seja desnecessária, já que Anitta e KING Saints conseguem igualar os sentidos, trazendo coesão. É uma faixa boa com deslizes colaborativos, entretanto belíssima e voltando com a proposta do início do álbum: celebrar a nova Anitta. Em "Vai dar Caô", com Ebony e Papatinho, ouve-se um pop urbano-trap carioca refletindo a trajetória da artista. Que faixa rica em detalhes! A colaboração é uma divindade e nada genérica para 2026. A união dos estilos faz tanto sentido quanto o latino no disco; a colaboração é perigosa e o Rap aqui é o ponto alto — uma bela faixa que celebra o empoderamento feminino espiritual.
"Equilibrium" continua a celebração de Anitta em gêneros que consolidaram sua carreira; talvez, mesmo com estilos genéricos, a cantora tenha presença e acerte na sonoridade. Em "Choka Choka", com Shakira, aborda-se o empoderamento feminino através de figuras bem-sucedidas. A faixa genérica, que une os idiomas das artistas, dura dois minutos e, ao invés de celebrá-las, foca apenas no sexual feminino — mesmo que elas abordem o empoderamento — resultando em um pop latino-brasileiro sem conexão e sustância. Infelizmente, quem perdeu uma colaboração que poderia ser interessante foi o disco; daqui a alguns anos, essa faixa terá seus motivos para ser vista como desfavorável. O gênero é como qualquer outro, um requisito para o sucesso, porém o "Equilibrium" não deveria ser assim. Em "Meia Noite", com Los Brasileros, aprofunda-se a espiritualidade com raízes urbanas excelentes; Anitta interpreta a sensualidade e o empoderamento em uma faixa diferente. Ela cria um novo gênero que transforma o álbum; a dupla é chique e traz uma modernidade com tradições culturais que faz com que este álbum, em seus momentos finais, ainda possua conceito.
Na última, "Ouro", com Emanazul, temos uma faixa de cinco minutos que transita do spoken word (palavra falada) para o Axé de forma suave. A primeira parte, falada por Anitta, pode ser linda, porém cai no genérico do experimental; o texto é belo, mas, mesmo que soe superficial, ainda propõe a busca pelo equilíbrio e superação — Anitta desperdiça o momento em superficialidade. A segunda parte traz um pop meditativo em repetição; é belo e ainda mais impactante. Ela busca mais que o ouro, enquanto a sonoridade de fundo faz o equilíbrio. A colaboração aparece no final como a cultura do conhecimento, em uma faixa lindamente interessante, porém sem situação definida. Se a segunda parte ocupasse os cinco minutos, eu poderia dizer que "Equilibrium" acabaria como começou: bela e poderosa. Porém, com isso, "Equilibrium" encerrou-se bela e instável. Anitta deve ter achado seu equilíbrio em um álbum um tanto quanto torto. Como editor especializado, realizei a revisão técnica do texto preservando integralmente a carga subjetiva, o tom literário e a estrutura analítica original do autor. Foram aplicados ajustes de concordância, pontuação e fluidez gramatical para elevar o texto ao padrão editorial, mantendo a voz e a intensidade descritiva do material de origem.
Conclusão e Veredito
"Equilibrium" é impactante ao abordar a carreira de Anitta em um álbum de MPB afro-brasileiro, transportando-se para um R&B-Pop latino que ressoa força. A cantora centraliza, dentro da obra, a purificação e o empoderamento construídos durante anos de trajetória. Ela consegue explorar, com outros artistas, os paradoxos do amor em sua vida no decorrer do disco. Trata-se de um manifesto de espiritualidade e de sua jornada de paz interior entre os gêneros e idiomas que a consolidaram como a estrela mundial que se tornou. Sua voz é belíssima e marcante; ela se mostra madura sobre conhecimentos distintos e explora nossos estilos com propriedade. O disco é uma visão de superação espiritual com um conceito primoroso, onde Anitta pontua cada sentimento e ferocidade enquanto conhece, respeita e transmite amor e serenidade ancestral.
O álbum se perde em determinados momentos; às vezes, o significado raso, utilizado apenas para preencher camadas, torna-se perceptível. Em certas passagens, a cantora recorre a gêneros e canções genéricas que o álbum "Equilibrium" quase não deveria conter; a proposta deveria ser experimental, mas ela acaba pendendo para o lado oposto. Muitas vezes, ocorrem colaborações que quebram o ritmo e abrem espaço para um ciclo de desgaste ou apenas para a superficialidade, em um disco que deveria fugir justamente disso.
"Equilibrium" é o brilho interior de Anitta voltado aos gêneros da ijexá, enquanto transmite festividade em colaborações que perpassam várias fases de purificação e amadurecimento. Se desde o seu álbum anterior faltava equilíbrio, aqui ela o encontra; mesmo que a balança oscile, ela dança conforme o ritmo.